Exposição 1

Bem-vinde ao Nosso Projeto

Uma jornada através da arte e da cultura contemporânea

Exposição 2

Diversidade de Técnicas

Explorando novas formas de expressão artística

Exposição 3

Artistas-Pesquisadores

Conheça as mãos e vozes que tecem futuros a partir do agora

Técnicas e Desdobramentos

Transnográfia. 
                        Uma ferramenta de escrita codificada que nasce da reivindicação de autonomia dos corpos trans.

Transnográfia

Uma ferramenta de escrita codificada que nasce da reivindicação de autonomia dos corpos trans. Através de nós e cores, propõe um sistema de comunicação que une arte, ancestralidade e resistência, valorizando a opacidade frente às lentes únicas da colonialidade.

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Técnica 2

Audiovisual

Obras e registros em vídeo que afirmam memória, cultura e existências dissidentes.

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Técnica 3

Exposições

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Sobre o Projeto

Transancestralidade: Criando Tecnologias e Estratégias de Sobrevivência

A arte, a memória e o corpo como territórios de reinvenção e manifestação são os pilares do projeto "Transancestralidade: Criando Tecnologias e Estratégias de Sobrevivência", uma iniciativa que busca expandir horizontes e descentralizar saberes a partir de experiências artísticas e comunitárias. Com a participação de seis artistas de regiões diferentes do país que atuam na promoção da cultura e dos saberes das mais velhas, a proposta se materializa em uma residência artística e em uma série de oficinas que dialogam com a construção de imagem, a transmutação têxtil, as tranças, a escrita e a pintura.

Pensando para além da territorialidade geográfica, o projeto propõe uma jornada sensorial que resgata e registra práticas transancestrais ao mesmo tempo em que as reinventa, plantando caminhos para novos futuros. A troca de conhecimentos e experiências visa fortalecer identidades, criar redes e possibilitar a construção de novas narrativas sobre corpos e histórias que, por muito tempo, foram invisibilizadas.

Ao longo do processo, os participantes terão a oportunidade de desenvolver estratégias que vão além da produção artística: trata-se da invenção de verdades novas, da criação de movimentos atemporais e da afirmação de existências que reconfiguram as formas de estar no mundo. A culminância do projeto será uma exposição, onde as obras e experimentações desenvolvidas durante a residência e as oficinas serão apresentadas ao público, estabelecendo diálogos que atravessam o passado, o presente e o futuro.

Mais do que um espaço de criação, "Transancestralidade" é um movimento de resistência, um convite à conexão e à imaginação de novas formas de viver e sobreviver.


Quem Somos

Travesti branca

Daena Lee (ela/dela)

Graduada em licenciatura em artes visuais pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e pesquisadora do Núcleo Abantesma. Nascida em Taubaté e criada desde o nascimento em São José dos Campos, desde muito cedo teve contato com a arte, o artesanato e os costumes do povo valeparaibano, através da Casa de Cultura Chico Triste. Em sua pesquisa a artista busca trazer questões do corpo, o emocional e a arte ativismo em seus trabalhos e explorar o seu eu e o meio, em uma tentativa de comunicar ao público, sobre suas questões identitárias, socioculturais e políticas, como uma forma de criar e levar os debates para outros espaços..

Nico transmasculino negro

Nicolau (elu/delu ele/dele)

Artivista sobrevivente do sistema carcerário durante a pandemia, artista plástico capilar, engenheiro, poeta e escritor. Como artista capilar e plástico, realiza o estudo de estruturas, incorporação de tecnologias, resgate de estéticas, forças e métodos criativos ancestrais. Nicolau relembra, pesquisa e aplica técnicas ancestrais para a promoção de liberdade em todas as áreas de atuação. Pensando a circularidade da vida, atrela sua vivência à vivência dos seus ancestrais e pauta a real mudança das coisas com o decorrer do tempo. Dentro de tudo isso, faz uso dessas facetas como meio para maquinar novas formas e tecnologias de sobrevivência, para um futuro livre e seguro.

Travesti negra

Dorot Ruanne

Multiartista paraibana, graduanda em Ciências Sociais (UFPB). Agente Territorial de Cultura pelo MinC na Paraíba, empreendedora da marca ADOROT, e Mãe Fundadora da Casa da Baixa Costura, coletiva e kiki house que faz da estética arma de empoderamento usando as tecnologias ballroom. Baixa Costura é uma tecnologia de sobrevivência que valoriza o improviso, a criatividade e a sustentabilidade, é transmutar o lixo têxtil e criar possibilidades, sendo um contraponto à alta costura elitista, reafirmando as urgências socioambientais do sul global.

Travesti branca

Ronna (ela/dela)

Pesquisadora, professora e ativista transfeminista, mestra em Estudos da Linguagem e doutoranda em Letras. Fundamentada principalmente em epistemologias trans-travestis, com atuação artística e acadêmica multi/transdisciplinar, interessada principalmente em discussões sobre memória, ancestralidade e identidade trans-travesti brasileira. Com pesquisas localizadas nos campos da linguagem e epistemologias trans, passeia principalmente pelas discussões de memória, voltada principalmente para memórias trans brasileiras, mas também discussões de ancestralidade e identidade.

Travesti Afro-indigena

Rafaela Correia(ela/dela)

Travesti Afro-indigena de 27 anos, natural de Porto Velho (RO). Atualmente, é Agente Territorial de Cultura, cursa Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia e desenvolve projetos culturais e audiovisuais voltados para a comunidade LGBTQIAPN+ e a cultura amazônica. Pela Lei Aldir Blanc, durante a pandemia, foi responsável pelo curta-metragem “Caipora” e pelo projeto “Festival das Bee: Online”. Além disso, por meio da Lei Paulo Gustavo, em 2025, realizará o curta documental “Rainhas do Madeira” e o projeto “III Orgulho com Local: Visibilidade Trans”. A criação de narrativas visuais por meio da pesquisa e da elaboração de registros pessoais, sobrepostos a texturas, fundos e intervenções, com o objetivo de criar ficções. A matéria-prima do trabalho consiste em memórias e fotos de família, que serão transformadas em pesquisa..

Exposições

Exposição Assis

"Passado Que Nunca Passa"
Pol Iryo


O Brasil é um país marcado pelo racismo e transfobia estrutural; consequentemente, alguns corpos são marcados e inferiorizados. Uma herança colonial que reverbera materialmente em corpos reais, que sempre foram abjetos, nunca legitimados como sujeitos pela História. Ora, basta abrir um livro considerado “clássico” ou “canônico” para nos deparamos com narrativas que se limitam a um olhar manchado pelo sangue de um genocídio perpetuado por séculos e um epistemicídio que permanece nas entrelinhas das tradicionais referências como gritos silenciosos.

Como confabular sobre um futuro onde a violência do passado se faz tão latente? Essa exposição urge da necessidade de entender o passado como um fenômeno vivo, que se manifesta no presente. Através de suas artes transdisciplinares, 5 artistas, aqui presentes, exploram as memórias que por muito tempo foram esquecidas, ou melhor, apagadas.

O futuro se constroi a partir de uma interpretação do passado que ecoa no tempo presente. A arte se torna uma ferramenta de resistência para explorar aquilo que ainda está presente. A repetição se propaga de forma estratégica. Aqui, tudo é uma escolha, as narrativas não operam a partir da falácia do progresso. Ao invés do desenvolvimento, o que se apresenta aqui é o envolvimento entre as multiplicidades de corpos, narrativas e temporalidades.

Esta exposição não propõe respostas definitivas, mas sim fissuras, reverberações e alianças. Um espaço onde o tempo se dobra e o futuro é (re)imaginado à luz do que persiste.

Fotografia. Quatro pessoas estão próximas a um microfone em pedestal. A pessoa à esquerda é negra de pele clara, tem cabelos lisos, pretos e longos, sobrancelhas espessas e lábios médios, usa uma blusa e calça com estampa de onça. A segunda é branca, tem cabelos ondulados castanhos com mechas loiras, usa uma blusa de tule manga longa vinho sobre outra terracota com detalhes de babados.  Fala ao microfone. Atrás, há uma pessoa branca de cabelos preto, curto e liso, raspado nas laterais, com estilo moicano. Usa uma blusa sem alças xadrez em preto e branco e calça preta, está com um cinto largo preto com argolas metálicas e correntes penduradas. Ao lado direito, uma pessoa negra de pele clara com tranças longas e grossas, usa uma blusa com tons de branco, preto e rosa. Está com uma luva longa preta.  Ao fundo, presas ao teto duas instalações com palha e búzios.
Abertura exposição "Passado Que Nunca Passa"
 Fotografia. Em destaque, duas pessoas ao microfone. A da esquerda é alta, negra de pele retinta, tem tranças no cabelo e usa um penteado de dois coques altos. Usa um vestido preto. A pessoa da direita é baixa, negra e de pele clara, tem os cabelos curtos e cacheados. Ela usa boné preto, camiseta cinza-escuro e bermuda azul. As duas pessoas seguram microfones de fios nas mãos. O espaço tem dois murais com cartazes: o da esquerda estampa uma foto de um homem com um bebê no colo e uma silhueta em sombra clara à direita dele. No cartaz da direita, há o título em letras pretas: “O passado que nunca passa”. Presas ao teto, duas instalações de corda pretas com nós e palha em cascata.
"Fotografia pessoas na exposição
 Fotografia. Em destaque, duas pessoas ao microfone. A da esquerda é alta, negra de pele retinta, tem tranças no cabelo e usa um penteado de dois coques altos. Usa um vestido preto. A pessoa da direita é baixa, negra e de pele clara, tem os cabelos curtos e cacheados. Ela usa boné preto, camiseta cinza-escuro e bermuda azul. As duas pessoas seguram microfones de fios nas mãos. O espaço tem dois murais com cartazes: o da esquerda estampa uma foto de um homem com um bebê no colo e uma silhueta em sombra clara à direita dele. No cartaz da direita, há o título em letras pretas: “O passado que nunca passa”. Presas ao teto, duas instalações de corda pretas com nós e palha em cascata.
Fotografia duas pessoas
 Fotografia. Cinco - pessoas próximas aos microfones. A da esquerda é alta, negra de pele clara, tem cabelos lisos, pretos e longos, sobrancelhas espessas e lábios médios. Está de blusa e calça com estampa de onça. Ao lado, uma pessoa com perfil de uma pessoa alta com tranças. A terceira pessoa é branca, tem cabelos ondulados castanhos com mechas loiras, veste uma blusa de tule manga longa vinho sobre outra terracota com detalhes de babados. Fala ao microfone. Atrás, há uma pessoa branca de cabelos preto, curto e liso, raspado nas laterais, com estilo moicano. Veste uma blusa sem alças xadrez em preto e branco e calça preta, está com um cinto largo preto com argolas metálicas e correntes penduradas.  Do lado direito, uma pessoa  baixa, negra e de pele clara, tem os cabelos curtos e cacheados. Usa boné preto, camiseta verde, camiseta roxa,  e bermuda clara. Ao fundo, uma parede clara com painéis, parte de uma exposição.
"
Cinco - pessoas próximas aos microfones

Exposição SJC

"O Futuro Que Nunca Chega"
Pol Iryo


No cotidiano, escutamos discursos carregados com uma inocente esperança acerca do futuro. Fenômenos como o do “pensamento positivo” ou da “evolução natural” preenchem o imaginário social. Crenças moldadas por uma perspectiva colonial e irresponsável. Mas onde há repressão, há resistência. A existência não é apenas sobre uma possibilidade de vida que adiamos para o amanhã, mas se faz no momento presente em consonância com rastros ancestrais.

Esta exposição propõe um espaço de escuta, reverberação e imaginação crítica. Reunindo artistas cujas práticas atravessam temporalidades, corpos e territórios, ela convida o público a refletir sobre os mecanismos que sustentam narrativas hegemônicas de futuro. Ao ativar memórias silenciadas e cosmologias dissidentes, as obras aqui apresentadas tensionam as estruturas de poder que insistem em apagar a diferença.

Não há mais tempo para gastar com narrativas únicas e comprometidas com um sentido raso de Verdade. Outros saberes são explorados nesse espaço. Diferentes cosmologias, cada uma com sua singularidade, constroem um conhecimento mais rico e diverso, como os biomas que habitam o que alguns chamam de Brasil, mas também conhecido como uma parte de Abya Yala.

Foto de uma instalação. Em um pilar de tijolos amarelos, cinco quadros, formando uma linha vertical. Em cada um, figuras abstratas e textos ilegíveis. O primeiro, vista pela metade, é um desenho de riscos horizontais. No segundo, há uma concentração no meio da folha de desenhos circulares. No terceiro, há pinturas nas pontas superiores e na inferior direita, alguns textos escritos também nas bordas. No penúltimo, duas linhas constam textos, uma vertical longa e uma diagonal. No último, visto pela metade, há um borrão também circular.
"Fragmentos do Tempo" - Colagem
Obra Memórias 2
Fotografia de um manequim com vestido em tons de bege e chumbo. Em uma sala com paredes brancas, o manequim usa um vestido sem alças com o busto bordado em creme. O mesmo tom de cor desce em um ponto plissado até um palmo antes do joelho, abaixo um pequeno caimento em tule. O saiote do vestido é longo, um tecido cor chumbo metálico tem bordados de flores e uma fenda na frente. Por baixo, uma longa cauda branca com bordado nas pontas. Na cabeça do manequim, uma tiara feita de palha e arame, e no braço direito dois adornos também de palha.
Manequim com vestido em tons de bege e chumbo
Fotografia de um quadro com foto. Ambiente rural, com chão de terra batida e raízes expostas. Um homem de pele escura, vestindo camiseta regata escura, shorts e chinelos, está de pé segurando uma cobra de grande porte enrolada ao redor de seu corpo. Ele olha para a câmera com expressão neutra. Em frente a ele, há a silhueta de uma figura feminina translúcida, com coloração azulada e esbranquiçada, tratada digitalmente, contrastando com o estilo fotográfico antigo e desbotado da imagem. Ao fundo, há galinhas espalhadas pelo terreno.
Fotografia de um quadro com foto. Ambiente rural,
Fotografia de um quadro com foto. Cena campestre ao entardecer, com céu em tons rosados e lilás ao fundo. No centro da imagem, há uma figura humana com silhueta feminina, destacada em um tratamento digital que a faz parecer translúcida, preenchida com cores artificiais em roxo, branco e rosa. Ela está cercada por várias vacas, que pastam livremente em um campo verde. As vacas apresentam pelagens variadas — algumas pretas, outras malhadas em branco e preto, e uma em tom alaranjado, destacando-se à direita.
Quadro com foto. Cena campestre ao entardecer
Fotografia de uma instalação. Uma placa em tons de papel amarelos suspenso por fios, em letras grafitadas a pergunta: “Será que um dia vou ser você?” A palavra “que” é composta só pela letra Q e palavra “você” pelas consoantes V e C.
“Será que um dia vou ser você?”
Fotografia de uma obra pendurada em uma parede branca.  Ela está sobre um prato raso e tons de bronze. A foto tem iluminação amarelada. A obra é um fio preto está preso em um aro que sustenta uma renda preta. No centro da peça, há uma estrela dourada em relevo, presa sobre uma peça prateada que se projeta para fora, Do aro inferior do bastidor, pendem fios coloridos soltos: vermelho, azul, laranja e bege amarrados em pequenos nós, alguns finalizados com miçangas brancas.
"Fotografia de uma obra pendurada em uma parede branca.
Fotografia de uma instalação. Pendurada em uma parede clara e iluminada, a pequena obra tem uma alça de palha com pequenas bolinhas vermelhas, na base um ondulado marrom e na ponta um festão em furta cor.
Fotografia de uma instalação. Pendurada em uma parede

Exposições Campinas

Sala dos Toninhos

"Espiralando a Existência"

Curadoria: Pol Iryo

2025. São tempos de urgência. As crises se amontoam. Reverberam em nossos corpos através da poluição, que torna até mesmo respirar uma tarefa difícil. Ou por meio do medo, que paralisa nossos corpos em meio a perseguições (necro)políticas. Deixar-se levar pela flecha que marca o tempo cronológico colonial pode ser tentador, mas a passividade é uma sentença, e estagnação.

Esta exposição é uma tentativa de retomar o controle sobre as narrativas transvestigêneres. Parte do encontro de cinco artistas brasileires que se uniram em busca de uma arte mais plural, que possibilite uma dilatação do imaginário social. Através de suas obras transdisciplinares, se arriscam no que eu chamaria de um processo de criação de mundos a partir de um presente pulsante. A multiplicidade de linguagens reflete a multiplicidade de corpos e his/estórias. O que está em jogo é o aqui e o agora, que, a partir de uma perspectiva situada, brinca com os fios que se emaranham no tempo presente, a partir do passado e do futuro.

Aqui e agora não há mais tempo, nem lugar, para uma linearidade. Muito menos para um roteiro pré-estabelecido que determina os papéis sociais, ou mesmo as pré-imaginadas “fases da vida”. Aqui e agora, não há previsões ou novidades - em seu sentido literal. Aqui e agora, estamos presentes por inteiro, para conseguir contemplar a dança entre ancestralidade e porvir. Aqui e agora, esquecemos estrategicamente o tempo mecânico e apostamos no presente como um processo de mundificação.

Local: Sala dos Toninhos - Estação Cultura

Data: 2025

Obra da exposição Espiralando a Existência 1
Obra 1 — Sala dos Toninhos
Fotografia de uma instalação. Em destaque, uma porta de madeira com ganchos ornados, pendurado na horizontal e rente a porta de madeira um fio com diversas tiras e tecidos coloridos, com brilhos, lantejoulas e fitas. 
Ao fundo, uma parede de ferro marrom, na parte superior duas arandelas de poste antigas e na haste diversos cabides.
Obra 2 — Sala dos Toninhos
 Fotografia de cima de uma instalação. Pedras brancas e leitosas estão organizadas em um círculo, dentro uma terra marrom escura espalhadas. Sobre ela, ao centro, um recipiente circular com um fio enrolado e organizado rente ao círculo; de lados opostos, dois chifres de búfalo, um outro objeto está ao centro e uma espécie de semente enrugada amarela está posicionada no meio. Em volta do recipiente, quatro velas de 7 dias brancas , três apagadas e novas e a quarta desgastada.
Obra 3 — Sala dos Toninhos
Fotografia de uma instalação. Um tecido branco está esticado  em uma parede. Sobre ele, tiras de tecidos em  branco, preto, rosa e azul estão presas de forma simétrica, por uma linha vertical ao centro do pano branco. Do lado direito, um contorno de brasão dourado. Dele, partem linhas vermelhas, que descem até o chão.
Obra 4 — Sala dos Toninhos
Fotografia de uma instalação em um espaço fechado com paredes brancas e janelas grandes. Em um andaime, um tecido branco esticado com um desenho disforme de um tronco de árvore grosso, feito com uma mancha amarelada.  no lugar da copa, ramificações em vermelho e azul, partindo do centro para as laterais.  Embaixo do andaime, está um banco de madeira, sobre o móvel, vasos marrons com plantas do lado esquerdo e do lado direito. São quatro de cada lado com as mesmas plantas: Espada de Iansã, lírio da paz, folhas de figo. Ao centro do banco, um alguidar marrom médio, dentro um objeto branco longo fálico, com pequenas esferas vermelhas grudadas na base do alguidar pedras brancas.
Obra 5 — Sala dos Toninhos
Fotografia de uma instalação. Em uma sala, desfocada, a obra é um fio de palha da costa enrolado em um fio de aço. A palha e o fio se enovelam-se, ela desfia e se solta nas extremidades da peça.
Obra 6 — Sala dos Toninhos
 Fotografia de uma instalação. Em um galpão com obras de arte, um andaime é a estrutura da peça. Fios e retalhos de tecido em amarelo, preto e vermelho saem do centro da obra até as bordas do andaime. Um retalho branco está centralizado, sobre ele um fio de búzios brancos amarrados em palha da costa se enrola em um búzio nigerianos na parte superior. Sobre os retalhos, um tecido marrom com flores artesanais de tecido, em rosa, cinza e vermelho.
Obra 7— Sala dos Toninhos

Museu da Cidade


"Como é Possível Viver Todas Essas Temporalidades Simultaneamente?"

Curadoria: Pol Iryo

2025. São tempos de urgência. As crises se amontoam. Reverberam em nossos corpos através da poluição, que torna até mesmo respirar uma tarefa difícil. Ou por meio do medo, que paralisa nossos corpos em meio a perseguições políticas. Deixar-se levar pela flecha que marca o tempo cronológico colonial pode ser tentador, mas a passividade é uma sentença, e estagnação. A falta de movimento e atividade é a morte. Em sua oposição, temos a vida, que flui como as águas de um rio, sempre em movimento.

O Brasil é um país marcado pelo racismo e transfobia estrutural; consequentemente, alguns corpos são marcados e inferiorizados. Uma herança colonial que reverbera materialmente em corpos reais, que sempre foram abjetos, nunca legitimados como sujeitos pela História. Ora, basta abrir um livro considerado “clássico” ou “canônico” para nos deparamos com narrativas que se limitam a um olhar manchado pelo sangue de um genocídio perpetuado por séculos e um epistemicídio que permanece nas entrelinhas das tradicionais referências como gritos silenciosos.

Esta exposição urge da necessidade de retomar o controle sobre as narrativas transvestigêneres. Parte do encontro de cinco artistas brasileires que se uniram em busca de uma arte mais plural, que possibilite uma dilatação do imaginário social. Através de suas obras transdisciplinares, se arriscam no que eu chamaria de um processo de criação de mundos a partir de um presente pulsante. A multiplicidade de linguagens reflete a multiplicidade de corpos e his/estórias. O que está em jogo é o aqui e o agora, que, a partir de uma perspectiva situada, brinca com os fios que se emaranham no tempo presente, a partir do passado e do futuro.

Aqui e agora não há mais tempo, nem lugar, para uma linearidade. Muito menos para um roteiro pré-estabelecido que determina os papéis sociais, ou mesmo as pré-imaginadas “fases da vida”. Aqui e agora, não há previsões ou novidades - em seu sentido literal. Aqui e agora, estamos presentes por inteiro, para conseguir contemplar a dança entre ancestralidade e porvir. Aqui e agora é dedicado ao ato de confabulações especulativas entre humanos e mais-que-humanos. Aqui e agora, esquecemos estrategicamente o tempo mecânico e apostamos no presente como um processo de mundificação.

Local:

Museu da Cidade

Data: 2025

Obra da exposição no Museu da Cidade 1
Obra 1 — Museu da Cidade
Fotografia de uma mesa expositora com tampa de vidro. Alguns livretos e colagens coloridas com títulos estão dispostas lado a lado, sobre algumas palhas da costa. Em uma, há a pintura de três pessoas em um fundo esbranquiçado, com uma flor amarela na parte superior. A segunda é um rosto de pele amarela, olhos alaranjados circulares, uma letra U no lugar do nariz e lábios abertos com os dentes à mostra. Ao lado, uma capa com fundo roxo e desenho em preto, dos olhos de uma pessoa com sobrancelhas arqueadas. Na parte de cima outra de capa lilás com desenho sinuoso de um corpo humano com os braços curvilíneos. Já na capa acima uma ilustração de prédios e o título em grafite “A cidade não era como hoje”. Ao lado, uma capa com colagens e estamparia colorida, abaixo, sobre um de capa lilás uma caderneta de capa vermelha e com o desenho da bandeira do Brasil no fecho.
Obra 2 — Museu da Cidade
Fotografia de uma instalação. Duas placas em tons de papéis amarelados suspensas por fios, tem linhas pretas retas e estilizadas com frases. A da esquerda diz: “Será que um dia vou ser você?” Na parte superior, “Carta para mim”. A da direita, “ eu só sou eu porque fui você ?” Na parte inferior, “ Carta para mim”. Ao fundo, outras instalações e fotos.
Obra 3 — Museu da Cidade
Fotografia de um manequim de vestido em tons de bege e chumbo. Em uma sala com paredes brancas, o manequim usa na cabeça, uma tiara feita de palha e arame. No  braço direito, dois adornos também de palha. Está com um vestido sem alças com o busto bordado em creme, o mesmo tom de cor desce em um ponto plissado até um palmo antes do joelho. Abaixo, um pequeno caimento em tule. O saiote do vestido é longo, um tecido cor chumbo metálico, com bordados de flores e uma fenda na frente. Por baixo, uma longa cauda branca com bordado nas pontas.
Obra 4 — Museu da Cidade
Fotografia de uma obra pendurada em uma parede branca. Um fio preto está preso em um aro que sustenta uma renda preta. No centro da peça, há uma estrela dourada em relevo, presa sobre uma peça prateada que se projeta para fora. Do aro inferior do bastidor, pendem fios coloridos soltos: vermelho, azul, laranja e bege amarrados em pequenos nós, alguns finalizados com miçangas brancas.
Obra 5 — Museu da Cidade
 Fotografia de uma mesa expositora com tampa de vidro. Alguns  livretos e colagens coloridas e com títulos estão dispostas lado a lado, sobre algumas palhas da costa. Em um delas,  uma pintura de três pessoas sobre um fundo esbranquiçado e uma flor amarela na parte superior. A  outra é um rosto de pele amarela, olhos alaranjados circulares, uma letra U no lugar do nariz e lábios abertos com os dentes à mostra. Ao lado, uma capa com fundo roxo e desenho em preto, dos olhos de uma pessoa com sobrancelhas arqueadas. Na parte de cima, outra de capa lilás com desenho sinuoso de um corpo humano com os braços curvilíneos. Já na capa acima uma ilustração de prédios e o título em grafite “A cidade não era como hoje”. Ao lado, uma capa com colagens e estamparia colorida. Abaixo, sobre um de capa lilás, uma caderneta de capa vermelha e com um título em preto “hipervisibilidade dos corpos  transvertigeneres neste território”. A esquerda. mais duas cadernetas com textos ilegíveis.
Obra 6 — Museu da Cidade
Fotografia de uma pessoa segurando uma obra. Em uma sala com exposições ao fundo e paredes cinzas e detalhes em branco. A pessoa  é negra de pele clara com tranças curtas até a altura do ombro, usa boina bege, camiseta branca, jaqueta e calça jeans de retalhos.; a pessoa está de sobrancelhas pintadas de laranja e os cílios brancos. Usa diversos colares de prata e esboça um leve sorriso. A obra é composta por palha da costa trançada em uma alça, na base um adorno de coquinhos e semente marrom. A - alça se abre em fios separados com um caimento longo e volumoso, entre as palhas da costa fios de búzios nigerianos abertos.
Nico — Museu da Cidade
 Fotografia. Uma pessoa sentada em um banco. Ao fundo, uma parede branca com quatro fotografias coloridas. A pessoa é negra de pele clara, tem olhos pequenos, sobrancelhas finas e arredondadas. O nariz núbio e lábios grossos, usa maquiagem escura. Está de vestido de alças, longo e roxo. As fotos mostram cenas de pessoas em momentos cotidianos e uma imagem de vacas no campo. Na primeira foto, uma criança de pele clara é batizada. Um homem e uma mulher seguram um bebê, que está deitado de peito para cima, um padre segura uma bacia de metal embaixo da cabeça da criança e segura um jarro com água, ao fundo um homem negro observa.  Na segunda foto, o mesmo homem carrega um bebê de colo em uma casa de madeira. O homem negro tem pele retinta, segura o bebê no colo, e uma embalagem. do lado esquerdo a silhueta em tons de branco de uma mulher de cabelo longo; ao fundo duas pessoas observam mais de trás. Na terceira imagem, foto de um pasto com uma silhueta. Cinco vacas caminham no pasto, ao centro uma silhueta esbranquiçada de uma pessoa, ao fundo um monte laranja fluorescente e mesmo tom em uma vaca do lado direito. Na última foto, um homem segura uma cobra e sorri, junto a silhueta esbranquiçada de uma pessoa em um morro de terra com raízes .
Rafa — Museu da Cidade
Fotografia de duas pessoas entre uma instalação feita de cordas e palha da costa. A pessoa da esquerda é negra de pele clara com tranças curtas até a altura do ombro. Usa boina bege. Está com diversos colares de prata; sobrancelhas pintadas de laranja e os cílios brancos e esboça um sorriso. Usa camiseta branca, jaqueta jeans de retalhos e calça jeans. A da direita é branca e tem cabelos pretos, até a altura do ombro com franja frontal.  Usa um corpete vermelho com renda preta, kimono com estampa de zebra. Está com os olhos delineados de preto na parte inferior e usa batom marrom metálico.
Transnografia — Museu da Cidade

Transnográfia

Transicionar é, dentre tantas coisas, reivindicar a autonomia do próprio corpo. Transnógrafia é parte desse processo, quando reivindicamos nesta criação também determinada autonomia nesses novos modos de escrever o mundo na linguagem.

A transparência que foi infiltrando os corpos e as mentes graças a colonialidade foi produzindo lentes únicas para se ler o mundo. Tenta tornar todos os processos culturais diversos legíveis a partir da mesma ótica. Com a transnógrafia, também nos recusamos a isso. Queremos a opacidade.

As experiências da transgeneridade no brasil passam por movimentos expropriadores intensos. Essa nação nos roubou e tem uma dívida com a gente. E inventou mentiras sobre nós. O sistema de representação moderno tenta há muito tempo nos assimilar para que caibamos na inteligibilidade. Nós seguimos nos debatendo em fuga.

Transnógrafia também nasce de um desses movimentos de fuga, mas também de criação. Que só se acesse de nós o que permitirmos, ou ainda, o que for possível desvendar.

Transnógrafia é uma ferramenta de escrita que se realiza a partir de nós e cores, mas que possui variabilidades no registro a partir do suporte ou intenção de produção.

Co-criação de Nicolau Andreass (@netodadita) e Ronna Freitas de Oliveira (@r.frts) durante o processo da Residência artística Transancestralidade, foi aplicada em oficinas e resultou em obras de arte que se utilizam dessa tecnologia de escrita. No brincar com sentidos possíveis sobre linguagem, num passeio por tecnologias dos nós e num mergulho no mistério nasce a transnógrafia. E sondando nas dobras do tempo, seguimos buscando ao mesmo tempo jeitos de rememorar e de dizer o que ainda não foi dito.

A Transnógrafia insere-se de maneira singular no contexto contemporâneo ao propor uma escrita codificada que une arte, ancestralidade e resistência. Por meio de nós e cores, cria-se um sistema de comunicação visualmente acessível, mas que preserva camadas de opacidade e significado restrito a quem domina seus códigos.

Audiovisual

Audiovisual reúne registros, documentários e experimentações em vídeo que atravessam memória, território e vivências dissidentes. São obras que nascem do encontro entre arte, cultura e política, compondo um acervo vivo de narrativas que tensionam o apagamento e afirmam existências.

Transancestralidade (2025)

Mitologia Têxtil

Protótipo

Brotar